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sábado, 12 de janeiro de 2008

ENIGMA








Luís de Camões, n’Os Lusíadas, conta a história de Portugal desde o início até D. Sebastião. Não fala em D. João III e no Cardeal D. Henrique. São as excepções. Porquê?

Tomé Natanael

quinta-feira, 5 de julho de 2007

A sombra de Eurídice (3)

um soneto de Luís de Camões

No mundo, poucos anos e cansados
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me tão cedo a luz do dia escura
que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados,
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, não quer Ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
pátria minha Alenquer; mas ar corrupto,
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Abássia fera e avara,
tão longe da ditosa pátria minha!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A sombra de Eurídice (1)

um soneto de Luís de Camões

Quando a suprema dor muito me aperta,
se digo que desejo esquecimento,
é força que se faz ao pensamento,
de que a vontade livre desconcerta.

E assi, de erro tão grave me desperta
a luz do bem regido entendimento,
mostrando que é engano ou fingimento
dizer em que tal descanso mais se acerta.

Porque essa mesma imagem, que na mente
me representa o bem de que careço,
me faz de um certo modo ser presente.

Ditosa é logo a pena que padeço,
pois que da causa dela em mim se sente
um bem que, inda sem ver-vos, reconheço.

Imagem: retrato de Luís de Camões, por William Blake.